Biofungicida foliar: o que é, como funciona e quando usar na lavoura
O biofungicida foliar é o segmento que mais cresce dentro dos bioinsumos no Brasil: em 2025, movimentou 1,4 bilhão de reais, 41% a mais que no ano anterior, segundo a CropLife Brasil. O crescimento tem explicação. O produtor está enfrentando fungos cada vez mais resistentes aos químicos, mercados que exigem menos resíduo e um custo de fungicida que não para de subir. Mas ainda existe muita confusão sobre o que o biológico faz, o que ele não faz e como encaixá-lo no programa. Este artigo organiza essa conversa.
O que é um biofungicida foliar
É um produto formulado com microrganismos vivos, aplicado por pulverização sobre a parte aérea da planta para prevenir ou reduzir doenças causadas por fungos. No Brasil, os biofungicidas foliares mais consolidados são à base de bactérias do gênero Bacillus, em especial três espécies: Bacillus pumilus, Bacillus amyloliquefaciens e Bacillus velezensis.
As três formam endósporos, o que dá ao produto vida de prateleira e resistência ao transporte e ao tanque. Há produtos registrados no Ministério da Agricultura com essas espécies para soja, milho, algodão, feijão, café, citros, uva, tomate e outras culturas, com alvos que vão de mancha-alvo e mofo-branco a oídio, antracnose e ferrugens.
Como funciona: os quatro modos de ação
- Antibiose. As bactérias produzem lipopeptídeos, como surfactina, iturina e fengicina, que se inserem na membrana do fungo e abrem poros. A iturina provoca vazamento de potássio da célula fúngica e a fengicina desestrutura a membrana. O Bacillus velezensis dedica de 5% a 8% do seu genoma a esses compostos.
- Competição. A bactéria coloniza a superfície da folha, forma biofilme e ocupa o espaço e os nutrientes que o esporo do fungo precisaria para germinar.
- Indução de resistência. Compostos da bactéria ativam as defesas da planta, que passa a produzir suas próprias barreiras contra o patógeno, como se tivesse sido vacinada. Esse efeito leva alguns dias para se instalar.
- Enzimas e voláteis. Quitinases e glucanases degradam a parede celular do fungo, e compostos voláteis inibem o crescimento à distância.
Como são vários mecanismos ao mesmo tempo, a chance de o fungo desenvolver resistência é muito baixa. É por isso que o biológico virou ferramenta de manejo de resistência.
Onde entra no programa de fungicidas
Aqui vale ser direto: sozinho, o biofungicida não segura doença de alta pressão. Os ensaios em rede da Embrapa mostram que, isolado, o biológico controla menos do que o químico em mancha-alvo e em doenças de final de ciclo, e que em ferrugem asiática ele não substitui o fungicida. Quem promete o contrário está vendendo ilusão.
O que os mesmos ensaios mostram é que o biológico tem lugar claro dentro do programa. Ele funciona como aplicação preventiva antes da pressão subir, como alternância entre aplicações de químico para reduzir a seleção de fungos resistentes, como proteção nas fases em que o resíduo é problema, como pré-colheita e hortifrúti, e como ferramenta em doenças de pressão baixa a média, onde trabalhos da Embrapa mostraram redução consistente de severidade com Bacillus alternado ao químico. Em áreas orgânicas, ele é o programa inteiro.
Qual Bacillus para qual doença
- Bacillus pumilus. Produtos à base dessa espécie têm registro no Brasil para mancha-alvo, mancha-parda e cercosporiose em soja e milho, ramulária no algodão, e Botrytis, oídio e antracnose em hortifrúti. Na linha SoluBio, é o SoluShield.
- Bacillus amyloliquefaciens. É a espécie com registro para mofo-branco na soja, além de oídio, antracnose em feijão e pimentão, Botrytis e pinta-preta. Na linha SoluBio, é o SoluStrong.
- Bacillus velezensis. Foi a primeira espécie com produto biológico registrado para ferrugem asiática, como complemento do químico, e tem registro para antracnose da soja, ferrugem do cafeeiro e oídio da uva. Na linha SoluBio, é o SoluLeaf.
Como aplicar sem perder a bactéria
O biológico é vivo e sensível ao sol. Aplique no fim da tarde ou à noite, com umidade acima de 60% e temperatura entre 25 e 30 graus. Use água sem cloro, com pH próximo do neutro, e coloque o biológico por último no tanque. Nunca misture com fungicida cúprico ou bactericida. Com fungicidas químicos, faça o teste de compatibilidade na jarra ou aplique em separado.
Capriche na cobertura, com 150 a 200 litros por hectare no terrestre, porque a bactéria precisa recobrir a folha. Aplique de forma preventiva, com intervalos de 7 a 14 dias conforme a pressão. Produtos biológicos registrados não têm carência determinada, e a reentrada na área é de 24 horas.
Perguntas frequentes
Biofungicida substitui o fungicida químico na soja? Não em doenças de alta pressão. Ele complementa o programa e ajuda no manejo de resistência.
Posso aplicar biofungicida com inseticida? Em geral sim, com teste de compatibilidade. Cobre e bactericidas são proibidos na mistura.
Quantos dias antes da colheita posso aplicar? Até a véspera, porque não há resíduo nem carência.
Onde comprar SoluShield, SoluStrong e SoluLeaf com posicionamento técnico
Os três biofungicidas citados neste artigo são da SoluBio: SoluShield com Bacillus pumilus, SoluStrong com Bacillus amyloliquefaciens e SoluLeaf com Bacillus velezensis. Eu sou o Julio Lemos, engenheiro agrônomo formado pela UnB e consultor de eficiência agronômica da SoluBio, e atendo produtores em Goiás, no Distrito Federal e no Norte de Minas.
Não vendo biológico como substituto do químico. Vendo um programa: qual espécie entra em cada doença, em qual momento do ciclo, alternado com quais fungicidas e com qual protocolo de calda para a sua equipe. E acompanho no campo, com faixas testemunha, para você medir severidade e produtividade antes de escalar. O programa é montado em cima do seu calendário atual de aplicações, sem exigir que você abandone o que já funciona.
Me chame no WhatsApp dizendo que veio do blog e conte quais doenças mais pesam na sua lavoura.
